Apesar da provável indicação para a Copa do Mundo de 2010, Carlos Eugênio Simon - tido em outras épocas como o "melhor árbitro do futebol brasileiro" - vive a pior fase de sua carreira. Depois de anular um gol legítimo do palmeirense Obina na derrota por 1 a 0 contra o Fluminense (confira o vídeo abaixo), domingo passado, no Maracanã, o gaúcho foi afastado na última segunda-feira pela Confederação Brasileira de Futebol e não trabalhará mais no Campeonato Brasileiro de 2009.
De acordo com o comunicado oficial da entidade, a punição se deu "em virtude da repetição de erros cometidos durante a competição". Uma decisão que deixou satisfeita não só a torcida do Verdão, mas como também os torcedores de pelo menos outros nove clubes, prejudicados no passado em função dos erros de Simon.
Concordo com os adeptos dos chavões futebolísticos: "Os equívocos, naturalmente, acontecem para todos os lados". Considero justa a punição aplicada ao árbitro, mas fica difícil (e até humilhante) apontá-lo como o único culpado pelo fato de o Palmeiras ter perdido a liderança para o São Paulo, uma vez que o Alviverde segue firme na disputa pela condição de cavalo paraguaio deste ano. A equipe do ranzinza Muricy Ramalho tem apresentado um futebol que, para não dizer medíocre, é apenas "esforçado". Às vezes nem isso, como todos puderam constatar no primeiro tempo do empate em 2 a 2 com o Sport, nesta quarta, no Palestra Itália. O marasmo era tanto que, mesmo com três volantes em campo (Edmílson, Souza e Sandro Silva), a torcida clamava pela entrada de PIERRE, como se o voluntarioso meio-campista fosse capaz de resolver os problemas do time com seus carrinhos e faltas na faixa central do campo.
Voltemos ao "caso Simon" com uma questão interessante: dos dez principais "erros" do gaúcho em quase 20 anos de carreira, este é apenas o quarto em uma competição disputada no sistema de pontos corridos. Os três anteriores aconteceram nos confrontos entre Cruzeiro e Flamengo (Simon prejudicou os cariocas ao não marcar um pênalti em Diego Tardelli, já no fim da partida), em 2008; Coritiba e Cruzeiro (anulou um gol legítimo do Coxa e ainda deixou de marcar um pênalti cometido por Spinoza), também em 2008; e no clássico Santos x São Paulo (ignorou a demora do goleiro Rogério Ceni para deixar o gramado após ser expulso e deu apenas três minutos de acréscimos), neste ano; todos válidos pelo Campeonato Brasileiro.
Em competições disputadas no tradicional "mata-mata", o árbitro gaúcho já foi acusado de errar em finais (como no confronto entre Corinthians e Brasiliense, pela Copa do Brasil de 2002); prejudicar as seleções de Suécia e Gana nos Mundiais de 2002 e 2006, respectivamente (média de um erro por Copa, já que foram as suas duas únicas participações); e ainda ganhou a antipatia de toda uma torcida: a do Grêmio, que não mede palavras ao qualificar negativamente a atuação de Simon em vários duelos com o rival Internacional (ele apitou, no total, 18 Gre-Nais).
Esta também não é a primeira vez que o árbitro é punido pela CBF. Em 2005, ele foi afastado pela entidade em função de equívocos no confronto entre Vasco e Figueirense, que terminou empatado em 3 a 3. Na ocasião, o então presidente cruzmaltino, Eurico Miranda, chegou a entrar com um processo contra Simon na Justiça Comum por danos morais, mas não obteve êxito.
Confira abaixo a relação completa, em ordem cronológica:
FLUMINENSE 1 X 0 PALMEIRAS (Campeonato Brasileiro de 2009) Anulou um gol legítimo de Obina, alegando que o atacante do Palmeiras teria cometido a falta na disputa pelo alto com Maicon, atacante do Flu.
SANTOS 3 X 4 SÃO PAULO (Campeonato Brasileiro de 2009) Rogério Ceni foi expulso e demorou pelo menos cinco minutos para deixar o gramado. Apesar da nítida cera, Simon assinalou apenas três minutos de acréscimos. Na ocasião, o goleiro do Tricolor paulista ainda foi cínico a ponto de sugerir uma possível perseguição do árbitro.
CEARÁ 1 X 2 FORTALEZA (Campeonato Cearense de 2009) O árbitro inventou um pênalti para o Ceará na jogada em que Edu Salles invadiu a área e simplesmente tropeçou. O erro, porém, não foi capaz de decidir o Estadual, já que o Fortaleza faturou o título.
GRÊMIO 1 X 2 INTERNACIONAL (Campeonato Gaúcho de 2009) Jonas recebeu na área em condição legal e marcou para o Grêmio. O árbitro, porém, anulou o lance e foi mais uma vez o alvo da ira dos tricolores.
CRUZEIRO 3 X 2 FLAMENGO (Campeonato Brasileiro de 2008) O Flamengo, que na época também brigava por uma vaga na Libertadores, teria a chance de empatar a partida, que até então estava 3 a 2 à favor da Raposa, no Mineirão, se o árbitro não tivesse ignorado o pênalti de Léo Fortunato em Diego Tardelli.
CRUZEIRO 1 X 1 CORITIBA (Campeonato Brasileiro de 2008) Simon anulou um gol legítimo da equipe paranaense e ainda deixou de marcar um pênalti cometido pelo zagueiro equatoriano Espinoza em Michel (ex-Guaratinguetá).
BOTAFOGO 2 X 1 ATLÉTICO-MG (Copa do Brasil de 2007) Erro crasso e o único admitido pelo próprio Carlos Eugênio Simon. Atlético-MG e Botafogo duelavam por uma vaga na fase semifinal da Copa do Brasil. Na partida de volta, já nos acréscimos, Tchô foi derrubado na área e o árbitro alegou simulação. Os cariocas venceram por 2 a 1 e avançaram na competição.
ITÁLIA 2 X 0 GANA (Copa do Mundo de 2006) Asamoah Gyan, nome que Galvão Bueno tanto gostava de pronunciar, foi derrubado por Danielle De Rossi (um dos poucos volantes na história do futebol a vestir a camisa 10) e Simon, mais uma vez, ignorou a penalidade máxima. A Azurra acabou vencendo por 2 a 0.
CORINTHIANS 2 X 1 BRASILIENSE (Copa do Brasil de 2002) No primeiro confronto entre Corinthians e o surpreendente Brasiliense pela final da Copa do Brasil, a equipe paulista abriu o placar em uma jogada irregular: Gil fez falta no marcador antes de dar a assistência para Deivid dar números finais ao jogo. No segundo jogo, empate em 1 a 1 e título para o Alvinegro.
INGLATERRA 1 X 1 SUÉCIA (Copa do Mundo de 2002) A estreia de Simon em uma Copa do Mundo não foi motivo de orgulho para a arbitragem brasileira. Novamente, ele deixou de marcar uma penalidade máxima, dessa vez à favor da Suécia: o experiente Larsson foi derrubado por Rio Ferdinand na área e o árbitro brasileiro mandou o jogo seguir. No final, empate em 1 a 1.