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 Juntos pela 100ª vez, Josué e Grafite buscam título
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Por Hanrrikson de Andrade - Especial para o iG Esporte.

SÃO PAULO - Neste sábado, os brasileiros Josué e Grafite entram em campo juntos pela 100ª vez na carreira, no duelo do Wolfsburg contra o Werder Bremen, na Volkswagen Arena, em Wolfsburg. Uma parceria que teve início no Goiás, em 2003, tornou-se vitoriosa no São Paulo, em 2005 e 2006, e está a um empate do título do Campeonato Alemão de 2009.

“É um jogo especial. Não sabia dessa marca, mas isso torna a partida de sábado ainda mais especial. O Grafite é um irmão, um amigo do peito. Jogar ao lado dele é fácil pela qualidade de seu futebol. Ele é uma referência para o Wolfsburg”, disse o volante Josué.

Geralmente, uma dupla se forma ou pela longevidade ou por uma participação marcante em uma determinada competição. No caso de Josué e Grafite, apesar das posições bem diferentes, as passagens por Goiás, São Paulo e Wolfsburg somam quase dois anos jogando juntos. Além disso, a dupla ainda conquistou três títulos, todos pelo São Paulo, em 2005: o Campeonato Paulista, a Taça Libertadores e o Mundial Interclubes. Para Josué, no entanto, levantar a taça do Campeonato Alemão ao lado de seu companheiro de equipe, neste sábado, será indiscutivelmente o jogo (e o título) mais importante nesta trajetória.

“Se o título vier contra o Werder Bremen, será a partida mais importante, não só por essa marca de 100 jogos ao lado do Grafite, mas também pela concretização de um sonho, que é comum a muitos clubes medianos da Alemanha. O Wolfsburg, até pouco tempo, fazia parte das equipes que brigavam para permanecer na Primeira Divisão. Hoje, está a um empate de uma conquista inédita”, afirmou.

Na primeira vez em que o volante e o atacante entraram em campo pelo mesmo clube, o Goiás empatou por 2 a 2 com o Paysandu, no dia 10 de agosto de 2003, no Mangueirão, em Belém, pelo returno do Campeonato Brasileiro de 2003. Naquele ano, sob o comando do técnico Cuca, a equipe goiana conseguiu uma impressionante arrancada na segunda metade da competição e saiu da lanterna para terminar na nona colocação (dos 20 jogos em que eles estiveram em campo, o Alviverde venceu 12). Ambos se destacaram e despertaram o interesse do São Paulo, porém apenas Grafite assinou com o Tricolor.

Depois de várias tentativas, o clube paulista, em 2005, conseguiu também a transferência de Josué. Junto com Grafite (que acabou se lesionando) e outros companheiros dos tempos de Goiás, como o zagueiro Fabão e o meia Danilo, o volante teve um primeiro semestre com os títulos do Campeonato Paulista e da Libertadores. No fim do ano, veio a conquista do Mundial Interclubes. No ano seguinte, Grafite se transferiu para o Le Mans (FRA).

Em agosto de 2007, ambos se transferiram para o Wolfsburg e, desde então, já participaram de 47 jogos pelo clube alemão juntos, sendo 26 vitórias (aproveitamento de aproximadamente 55%). No total, a dupla participou de 99 jogos e obteve 57 triunfos, cerca de 60% de aproveitamento.

“O time manteve a base, tem um belo treinador e isso ajuda muito. A receita é não ter estrelas. Não temos vaidade, cada jogador procura o seu espaço dentro de campo e isso nos torna muito fortes”, finalizou.

Leia a reportagem no iG Esporte

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 Welliton, ex-Goiás, foi vítima de racismo na Rússia
terça-feira, 19 de maio de 2009
Por Hanrrikson de Andrade - Especial para o iG Esporte.

MOSCOU (Rússia) - A revolta do técnico do CSKA, Zico, a respeito de manifestações racistas contra o nigerino Ouwo Moussa Maazou no duelo com o Dynamo de Moscou, pela semifinal da Copa da Rússia, no dia 13 de maio, não surgiu de um caso isolado no país europeu. O atacante Welliton, revelado pelo Goiás e atualmente no Spartak Moscou, também já sofreu com a onda de preconceito disseminada por alguns grupos de torcedores. Na ocasião, a Federação Russa de Futebol agiu imediatamente, o que não ocorreu no recente episódio envolvendo o jogador do CSKA.

Assim que chegou ao Spartak, em agosto de 2007, Welliton foi perguntado sobre qual número gostaria de usar. Optou pela camisa 11, a mesma da rápida passagem pelo Goiás e que, num passado recente, pertenceu ao veterano apoiador Andrei Tijonov, ídolo do Spartak e atualmente no modesto Khimki (RUS).

A opção do jogador acabou motivando uma onda de injúrias raciais, já que a torcida não se conformou com o fato de a camisa 11 ser entregue a um brasileiro, negro. No mesmo ano, porém, Welliton fez seis gols em 11 jogos e se tornou não só o principal goleador do Spartak na temporada, como amenizou a desconfiança.

“Eles levantaram uma placa com a mensagem: ‘A camisa 11 é só de Tijonov. Macaco, volte para casa’. Imediatamente, liguei para a minha mãe e pensei seriamente em voltar para o Brasil. Mas ela me aconselhou a continuar aqui e, felizmente, eu consegui superar esse obstáculo”, disse por e-mail o atacante, de 22 anos.

A atitude racista dos torcedores do Spartak aconteceu logo na estreia de Welliton, que entrou no segundo tempo do jogo contra o Krylia Sovetov, em 11 de agosto de 2007. O clube se defendeu argumentando que o cartaz teria sido feito por um grupo de neonazistas infiltrados. No entanto, duas semanas após, a Federação Russa de Futebol aplicou uma multa de US$ 20 mil (cerca de R$ 40 mil), sendo esta a maior punição financeira já sentenciada pela entidade.

Em abril deste ano, um novo episódio envolvendo o Spartak e o preconceito de alguns dos seus torcedores, que exibiram nas arquibancadas um cartaz ofensivo contra o Spartak Nalchik, clube do extremo-sul russo. Em russo, os fãs expunham dizeres denegrindo os costumes rurais do povo daquela região - a palavra fazia alusão ao fato de que os habitantes de Nalchilk tinham relações sexuais com animais. Dessa vez, a multa paga pelo clube alvirrubro foi menor: US$ 17,5 mil (cerca de R$ 35 mil).

Somente a partir deste caso, os dirigentes do Spartak passaram a estudar alternativas para resolver o problema.

“Um intérprete nos avisou da manifestação dos torcedores no jogo contra o Nalchik. No entanto, o presidente disse que tomaria providências com o nosso torcedor para que isso não voltasse a acontecer. Ele disse também para eu não esquentar a cabeça [com a possibilidade de o brasileiro ser hostilizado novamente] e disse que sabe do meu potencial”, disse Welliton, afirmando que o pior já passou:

“A torcida tem gritado o meu nome durante os jogos. Esse é um belo reconhecimento e também já sou assediado nas ruas”, finalizou Welliton, que fez cinco gols até o momento no Campeonato Russo.

Leia a reportagem no iG Esporte

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