A torcida corintiana deu o seu recado: "Felipe, Dentinho e mais nove". O técnico Mano Menezes, que está longe de ser bobo, concordou. Neste domingo, na vitória por 2 a 1 contra o Santo André, na Arena Barueri, pela 14ª rodada do Paulistão, o Alvinegro do Parque São Jorge voltou a entrar em campo com o famigerado trio de atacantes do ano passado - Dentinho, Ronaldo e Jorge Henrique. O resultado? Em apenas 25 minutos, o Timão teve a sua melhor atuação nesta temporada.
Dentinho, após assistência primorosa de Ronaldo, abriu o placar e entrou para a história do clube ao anotar o gol de número 10.000. Roberto Carlos, com uma bomba da entrada da área, ampliou a vantagem e fez o seu primeiro tento com a camisa corintiana. No fim do primeiro tempo, Ricardo Conceição arrematou no cantinho de Felipe para descontar: 2 a 1.
O segundo tempo foi tenso para a Fiel, pois a equipe do ABC - que é de fato uma das mais equilibradas do Campeonato Paulista - teve boas oportunidades para conseguir o empate. Porém, a consistência do sistema defensivo de Mano Menezes e a excelente fase do goleiro Felipe deram conta do recado. Com os três pontos, o Alvinegro termina mais uma rodada no pelotão dos quatro primeiros da competição - na quarta posição, com 26 pontos -, o que garantiria uma vaga na fase semifinal.
No entanto, o próprio treinador sabe que o Corinthians ainda necessita de uma série de correções, principalmente em relação à postura no meio-de-campo. Elias e Jucilei são volantes habilidosos, mas não o suficiente para executarem a função de armador. Danilo, contratado especificamente para o setor, ainda não está no melhor de sua forma física e jogou poucas vezes na temporada, o que dificulta o processo de entrosamento. Para quem ano passado criticava a lentidão do Douglas, é bom começar a preparar a corneta para 2010.
Enquanto isso, o Corinthians permanece como uma equipe de lampejos. E foi exatamente o que ocorreu neste domingo, 25 minutos de reedição daquele futebol eficiente apresentado em 2009. Ronaldo, ainda que a fase não seja das melhores quanto à finalização, é fundamental para o time - a cada vez que ele sai da área, pelo menos dois marcadores vão atrás. Portanto, não é de se estranhar que ele tenha dado mais assistências do que feito gols na atual temporarada. Jorge Henrique caiu de produção, mas sempre será peça chave na formação tática de Mano.
O próximo compromisso é pela Libertadores, quarta (17/3), contra o Cerro Porteño, em Assunção. A tendência é a de que o treinador mantenha a base, com o retorno do titular Alessandro à lateral direita ou, como segunda opção, a improvisação do volante Marcelo Mattos. O confronto com a equipe paraguaia deve ser mais fácil em relação ao empate por 1 a 1 contra o Independiente de Medellín, na semana passada.
Em primeiro lugar, não haverá a desculpa da altitude; o Cerro não atravessa boa fase e foi facilmente derrotado pelo mediano Racing, no Uruguai; por último e não menos importante, acredita-se que o Corinthians terá um nível maior de entrosamento, já que nas últimas rodadas o rodízio entre reservas e titulares não foi tão perceptível como nos primeiros jogos da temporada. Garantindo um triunfo no Paraguai, o Alvinegro terá dois jogos consecutivos no Pacaembu para confirmar (ou não) a classificação como líder do Grupo 1.
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Mesmo com a derrota por 4 a 3 no clássico contra o Palmeiras, dificilmente o Santos (32 pontos) não terminará o Paulistão como líder. O Santo André, que tem 30 pontos, precisa de mais quatro ou seis para garantir a classificação, e tem uma tabela relativamente fácil pela frente. São Paulo (27), Corinthians (26) e Botafogo-SP (25) são os candidatos mais sólidos às duas últimas vagas, mas eu não descartaria uma arrancada do Palmeiras (22 pontos, na sétima posição, atrás da Portuguesa) nesta reta final.
Antônio Carlos Zago tem feito um bom trabalho à frente do Alviverde e, ainda que o time tenha desperdiçado boas chances de subir na tabela (derrotas para Rio Claro e Santo André), são pelo menos três (dos cinco restantes) jogos fáceis em casa: Ponte Preta, Mirassol e Oeste de Itápolis. O principal problema para o Verdão é a concorrência. Uma coisa é torcer por tropeços de um ou dois adversários, bem mais difícil é secar QUATRO clubes, sendo três rivais (São Paulo, Corinthians e Portuguesa) e uma das sensações do campeonato, o Botafogo-SP.
Apesar da provável indicação para a Copa do Mundo de 2010, Carlos Eugênio Simon - tido em outras épocas como o "melhor árbitro do futebol brasileiro" - vive a pior fase de sua carreira. Depois de anular um gol legítimo do palmeirense Obina na derrota por 1 a 0 contra o Fluminense (confira o vídeo abaixo), domingo passado, no Maracanã, o gaúcho foi afastado na última segunda-feira pela Confederação Brasileira de Futebol e não trabalhará mais no Campeonato Brasileiro de 2009.
De acordo com o comunicado oficial da entidade, a punição se deu "em virtude da repetição de erros cometidos durante a competição". Uma decisão que deixou satisfeita não só a torcida do Verdão, mas como também os torcedores de pelo menos outros nove clubes, prejudicados no passado em função dos erros de Simon.
Concordo com os adeptos dos chavões futebolísticos: "Os equívocos, naturalmente, acontecem para todos os lados". Considero justa a punição aplicada ao árbitro, mas fica difícil (e até humilhante) apontá-lo como o único culpado pelo fato de o Palmeiras ter perdido a liderança para o São Paulo, uma vez que o Alviverde segue firme na disputa pela condição de cavalo paraguaio deste ano. A equipe do ranzinza Muricy Ramalho tem apresentado um futebol que, para não dizer medíocre, é apenas "esforçado". Às vezes nem isso, como todos puderam constatar no primeiro tempo do empate em 2 a 2 com o Sport, nesta quarta, no Palestra Itália. O marasmo era tanto que, mesmo com três volantes em campo (Edmílson, Souza e Sandro Silva), a torcida clamava pela entrada de PIERRE, como se o voluntarioso meio-campista fosse capaz de resolver os problemas do time com seus carrinhos e faltas na faixa central do campo.
Voltemos ao "caso Simon" com uma questão interessante: dos dez principais "erros" do gaúcho em quase 20 anos de carreira, este é apenas o quarto em uma competição disputada no sistema de pontos corridos. Os três anteriores aconteceram nos confrontos entre Cruzeiro e Flamengo (Simon prejudicou os cariocas ao não marcar um pênalti em Diego Tardelli, já no fim da partida), em 2008; Coritiba e Cruzeiro (anulou um gol legítimo do Coxa e ainda deixou de marcar um pênalti cometido por Spinoza), também em 2008; e no clássico Santos x São Paulo (ignorou a demora do goleiro Rogério Ceni para deixar o gramado após ser expulso e deu apenas três minutos de acréscimos), neste ano; todos válidos pelo Campeonato Brasileiro.
Em competições disputadas no tradicional "mata-mata", o árbitro gaúcho já foi acusado de errar em finais (como no confronto entre Corinthians e Brasiliense, pela Copa do Brasil de 2002); prejudicar as seleções de Suécia e Gana nos Mundiais de 2002 e 2006, respectivamente (média de um erro por Copa, já que foram as suas duas únicas participações); e ainda ganhou a antipatia de toda uma torcida: a do Grêmio, que não mede palavras ao qualificar negativamente a atuação de Simon em vários duelos com o rival Internacional (ele apitou, no total, 18 Gre-Nais).
Esta também não é a primeira vez que o árbitro é punido pela CBF. Em 2005, ele foi afastado pela entidade em função de equívocos no confronto entre Vasco e Figueirense, que terminou empatado em 3 a 3. Na ocasião, o então presidente cruzmaltino, Eurico Miranda, chegou a entrar com um processo contra Simon na Justiça Comum por danos morais, mas não obteve êxito.
Confira abaixo a relação completa, em ordem cronológica:
FLUMINENSE 1 X 0 PALMEIRAS (Campeonato Brasileiro de 2009) Anulou um gol legítimo de Obina, alegando que o atacante do Palmeiras teria cometido a falta na disputa pelo alto com Maicon, atacante do Flu.
SANTOS 3 X 4 SÃO PAULO (Campeonato Brasileiro de 2009) Rogério Ceni foi expulso e demorou pelo menos cinco minutos para deixar o gramado. Apesar da nítida cera, Simon assinalou apenas três minutos de acréscimos. Na ocasião, o goleiro do Tricolor paulista ainda foi cínico a ponto de sugerir uma possível perseguição do árbitro.
CEARÁ 1 X 2 FORTALEZA (Campeonato Cearense de 2009) O árbitro inventou um pênalti para o Ceará na jogada em que Edu Salles invadiu a área e simplesmente tropeçou. O erro, porém, não foi capaz de decidir o Estadual, já que o Fortaleza faturou o título.
GRÊMIO 1 X 2 INTERNACIONAL (Campeonato Gaúcho de 2009) Jonas recebeu na área em condição legal e marcou para o Grêmio. O árbitro, porém, anulou o lance e foi mais uma vez o alvo da ira dos tricolores.
CRUZEIRO 3 X 2 FLAMENGO (Campeonato Brasileiro de 2008) O Flamengo, que na época também brigava por uma vaga na Libertadores, teria a chance de empatar a partida, que até então estava 3 a 2 à favor da Raposa, no Mineirão, se o árbitro não tivesse ignorado o pênalti de Léo Fortunato em Diego Tardelli.
CRUZEIRO 1 X 1 CORITIBA (Campeonato Brasileiro de 2008) Simon anulou um gol legítimo da equipe paranaense e ainda deixou de marcar um pênalti cometido pelo zagueiro equatoriano Espinoza em Michel (ex-Guaratinguetá).
BOTAFOGO 2 X 1 ATLÉTICO-MG (Copa do Brasil de 2007) Erro crasso e o único admitido pelo próprio Carlos Eugênio Simon. Atlético-MG e Botafogo duelavam por uma vaga na fase semifinal da Copa do Brasil. Na partida de volta, já nos acréscimos, Tchô foi derrubado na área e o árbitro alegou simulação. Os cariocas venceram por 2 a 1 e avançaram na competição.
ITÁLIA 2 X 0 GANA (Copa do Mundo de 2006) Asamoah Gyan, nome que Galvão Bueno tanto gostava de pronunciar, foi derrubado por Danielle De Rossi (um dos poucos volantes na história do futebol a vestir a camisa 10) e Simon, mais uma vez, ignorou a penalidade máxima. A Azurra acabou vencendo por 2 a 0.
CORINTHIANS 2 X 1 BRASILIENSE (Copa do Brasil de 2002) No primeiro confronto entre Corinthians e o surpreendente Brasiliense pela final da Copa do Brasil, a equipe paulista abriu o placar em uma jogada irregular: Gil fez falta no marcador antes de dar a assistência para Deivid dar números finais ao jogo. No segundo jogo, empate em 1 a 1 e título para o Alvinegro.
INGLATERRA 1 X 1 SUÉCIA (Copa do Mundo de 2002) A estreia de Simon em uma Copa do Mundo não foi motivo de orgulho para a arbitragem brasileira. Novamente, ele deixou de marcar uma penalidade máxima, dessa vez à favor da Suécia: o experiente Larsson foi derrubado por Rio Ferdinand na área e o árbitro brasileiro mandou o jogo seguir. No final, empate em 1 a 1.
Juntos pela 100ª vez, Josué e Grafite buscam título
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Por Hanrrikson de Andrade - Especial para o iG Esporte.
SÃO PAULO - Neste sábado, os brasileiros Josué e Grafite entram em campo juntos pela 100ª vez na carreira, no duelo do Wolfsburg contra o Werder Bremen, na Volkswagen Arena, em Wolfsburg. Uma parceria que teve início no Goiás, em 2003, tornou-se vitoriosa no São Paulo, em 2005 e 2006, e está a um empate do título do Campeonato Alemão de 2009.
“É um jogo especial. Não sabia dessa marca, mas isso torna a partida de sábado ainda mais especial. O Grafite é um irmão, um amigo do peito. Jogar ao lado dele é fácil pela qualidade de seu futebol. Ele é uma referência para o Wolfsburg”, disse o volante Josué.
Geralmente, uma dupla se forma ou pela longevidade ou por uma participação marcante em uma determinada competição. No caso de Josué e Grafite, apesar das posições bem diferentes, as passagens por Goiás, São Paulo e Wolfsburg somam quase dois anos jogando juntos. Além disso, a dupla ainda conquistou três títulos, todos pelo São Paulo, em 2005: o Campeonato Paulista, a Taça Libertadores e o Mundial Interclubes. Para Josué, no entanto, levantar a taça do Campeonato Alemão ao lado de seu companheiro de equipe, neste sábado, será indiscutivelmente o jogo (e o título) mais importante nesta trajetória.
“Se o título vier contra o Werder Bremen, será a partida mais importante, não só por essa marca de 100 jogos ao lado do Grafite, mas também pela concretização de um sonho, que é comum a muitos clubes medianos da Alemanha. O Wolfsburg, até pouco tempo, fazia parte das equipes que brigavam para permanecer na Primeira Divisão. Hoje, está a um empate de uma conquista inédita”, afirmou.
Na primeira vez em que o volante e o atacante entraram em campo pelo mesmo clube, o Goiás empatou por 2 a 2 com o Paysandu, no dia 10 de agosto de 2003, no Mangueirão, em Belém, pelo returno do Campeonato Brasileiro de 2003. Naquele ano, sob o comando do técnico Cuca, a equipe goiana conseguiu uma impressionante arrancada na segunda metade da competição e saiu da lanterna para terminar na nona colocação (dos 20 jogos em que eles estiveram em campo, o Alviverde venceu 12). Ambos se destacaram e despertaram o interesse do São Paulo, porém apenas Grafite assinou com o Tricolor.
Depois de várias tentativas, o clube paulista, em 2005, conseguiu também a transferência de Josué. Junto com Grafite (que acabou se lesionando) e outros companheiros dos tempos de Goiás, como o zagueiro Fabão e o meia Danilo, o volante teve um primeiro semestre com os títulos do Campeonato Paulista e da Libertadores. No fim do ano, veio a conquista do Mundial Interclubes. No ano seguinte, Grafite se transferiu para o Le Mans (FRA).
Em agosto de 2007, ambos se transferiram para o Wolfsburg e, desde então, já participaram de 47 jogos pelo clube alemão juntos, sendo 26 vitórias (aproveitamento de aproximadamente 55%). No total, a dupla participou de 99 jogos e obteve 57 triunfos, cerca de 60% de aproveitamento.
“O time manteve a base, tem um belo treinador e isso ajuda muito. A receita é não ter estrelas. Não temos vaidade, cada jogador procura o seu espaço dentro de campo e isso nos torna muito fortes”, finalizou.
Welliton, ex-Goiás, foi vítima de racismo na Rússia
terça-feira, 19 de maio de 2009
Por Hanrrikson de Andrade - Especial para o iG Esporte.
MOSCOU (Rússia) - A revolta do técnico do CSKA, Zico, a respeito de manifestações racistas contra o nigerino Ouwo Moussa Maazou no duelo com o Dynamo de Moscou, pela semifinal da Copa da Rússia, no dia 13 de maio, não surgiu de um caso isolado no país europeu. O atacante Welliton, revelado pelo Goiás e atualmente no Spartak Moscou, também já sofreu com a onda de preconceito disseminada por alguns grupos de torcedores. Na ocasião, a Federação Russa de Futebol agiu imediatamente, o que não ocorreu no recente episódio envolvendo o jogador do CSKA.
Assim que chegou ao Spartak, em agosto de 2007, Welliton foi perguntado sobre qual número gostaria de usar. Optou pela camisa 11, a mesma da rápida passagem pelo Goiás e que, num passado recente, pertenceu ao veterano apoiador Andrei Tijonov, ídolo do Spartak e atualmente no modesto Khimki (RUS).
A opção do jogador acabou motivando uma onda de injúrias raciais, já que a torcida não se conformou com o fato de a camisa 11 ser entregue a um brasileiro, negro. No mesmo ano, porém, Welliton fez seis gols em 11 jogos e se tornou não só o principal goleador do Spartak na temporada, como amenizou a desconfiança.
“Eles levantaram uma placa com a mensagem: ‘A camisa 11 é só de Tijonov. Macaco, volte para casa’. Imediatamente, liguei para a minha mãe e pensei seriamente em voltar para o Brasil. Mas ela me aconselhou a continuar aqui e, felizmente, eu consegui superar esse obstáculo”, disse por e-mail o atacante, de 22 anos.
A atitude racista dos torcedores do Spartak aconteceu logo na estreia de Welliton, que entrou no segundo tempo do jogo contra o Krylia Sovetov, em 11 de agosto de 2007. O clube se defendeu argumentando que o cartaz teria sido feito por um grupo de neonazistas infiltrados. No entanto, duas semanas após, a Federação Russa de Futebol aplicou uma multa de US$ 20 mil (cerca de R$ 40 mil), sendo esta a maior punição financeira já sentenciada pela entidade.
Em abril deste ano, um novo episódio envolvendo o Spartak e o preconceito de alguns dos seus torcedores, que exibiram nas arquibancadas um cartaz ofensivo contra o Spartak Nalchik, clube do extremo-sul russo. Em russo, os fãs expunham dizeres denegrindo os costumes rurais do povo daquela região - a palavra fazia alusão ao fato de que os habitantes de Nalchilk tinham relações sexuais com animais. Dessa vez, a multa paga pelo clube alvirrubro foi menor: US$ 17,5 mil (cerca de R$ 35 mil).
Somente a partir deste caso, os dirigentes do Spartak passaram a estudar alternativas para resolver o problema.
“Um intérprete nos avisou da manifestação dos torcedores no jogo contra o Nalchik. No entanto, o presidente disse que tomaria providências com o nosso torcedor para que isso não voltasse a acontecer. Ele disse também para eu não esquentar a cabeça [com a possibilidade de o brasileiro ser hostilizado novamente] e disse que sabe do meu potencial”, disse Welliton, afirmando que o pior já passou:
“A torcida tem gritado o meu nome durante os jogos. Esse é um belo reconhecimento e também já sou assediado nas ruas”, finalizou Welliton, que fez cinco gols até o momento no Campeonato Russo.